Faça o exercício agora, a sério: se o computador principal da sua empresa não ligasse amanhã de manhã — disco avariado, roubo, café entornado — o que perdia? Para uma quantidade assustadora de empresas, a resposta é: a facturação, a lista de clientes, a contabilidade, os contratos, anos de documentos. O negócio inteiro num disco de 50 dólares, sem cópia.
As formas como os dados morrem (nenhuma é exótica)
Discos avariam — todos, é só questão de quando. Portáteis são roubados, com mais frequência do que se admite. Ficheiros apagam-se por engano e descobre-se semanas depois. Ransomware encripta tudo e pede resgate. E quedas de energia — realidade frequente cá — corrompem ficheiros abertos. Nenhum destes cenários é raro; raro é a empresa preparada para eles.
A regra 3-2-1, traduzida para a prática
A norma da indústria chama-se 3-2-1: 3 cópias dos dados, em 2 suportes diferentes, 1 delas fora do escritório. Na prática de uma PME moçambicana:
- Cópia 1: os ficheiros no computador de trabalho (a que já tem).
- Cópia 2: um disco externo com backup automático — não manual; backups manuais "quando me lembro" falham sempre no mês que importa.
- Cópia 3 (a que salva o negócio): na nuvem — Google Drive, OneDrive, Dropbox. Protege contra o cenário em que o escritório inteiro é afectado (roubo, incêndio, inundação), porque a cópia está noutro continente.
Custo total: o disco externo e uma subscrição mensal de nuvem modesta. Menos do que um jantar de empresa, por ano.
O passo que toda a gente salta: testar
Backup que nunca foi testado é uma esperança, não um plano. Uma vez por trimestre, finja o desastre: escolha três ficheiros importantes e recupere-os da nuvem e do disco. Se demorar mais de dez minutos ou falhar, descobriu o problema no simulacro — não no dia em que o negócio dependia disso.
E os sistemas? (facturação, site, loja)
Os dados que vivem em sistemas — software de facturação, base de dados da loja online, o site — também precisam de backup, e aqui a responsabilidade é partilhada: pergunte por escrito ao seu fornecedor com que frequência há backups, onde ficam guardados, e quanto tempo demora a restaurar. "Isso está salvaguardado" sem detalhes não é resposta — é a frase que antecede as más notícias. Nos sistemas que construímos, backups automáticos e testados fazem parte da entrega, não são extra.