O mercado tem de tudo: equipas excelentes, curiosos com um portátil, e intermediários que subcontratam sem dizer. O problema é que no momento da compra todos parecem iguais — o site é bonito, a conversa é boa, o preço cabe. Este guia dá-lhe os filtros que usamos nós próprios quando avaliamos parceiros.
Sinais de alerta imediatos
- Não mostram trabalho real. Portfólio vago, "projectos confidenciais", nenhum site no ar que possa visitar. Quem fez trabalho bom, mostra-o.
- Prometem tudo, questionam nada. Uma equipa séria faz perguntas difíceis sobre o seu negócio antes de dizer "sim, fazemos". Quem aceita o pedido sem o desafiar vai construir exactamente o que pediu — incluindo os erros.
- Preço suspeitosamente baixo. Software barato existe; software bom e barato e rápido, não. O orçamento a um terço dos outros normalmente significa template requentado, ausência de testes, ou um projecto que será abandonado a meio.
- Tudo verbal. Sem contrato, sem escopo escrito, sem prazos documentados. Quando correr mal — e sem documentos, corre — não terá a que se agarrar.
- Não falam de manutenção. Quem entrega e desaparece sabe que o software não sobrevive sozinho. A pergunta "e depois do lançamento?" separa profissionais de amadores.
As perguntas que deve fazer
"Posso falar com dois clientes vossos?" — a resposta diz tudo. "Quem fica dono do código e do domínio?" — a resposta certa é: você, sempre, com acessos entregues no fim. "Como comunicamos durante o projecto?" — deve haver ritmo definido (demos semanais ou quinzenais), não silêncio até à entrega. "O que acontece se eu quiser mudar de fornecedor daqui a dois anos?" — se a resposta envolver dependência técnica deles, fuja.
O que deve ficar escrito
- Escopo e entregáveis — o que está incluído, página a página, função a função; e o que explicitamente não está.
- Prazos com fases — e o que acontece quando deslizam (de ambos os lados: atrasos do fornecedor e atrasos seus a entregar conteúdo).
- Propriedade — código, domínio, alojamento e todos os acessos em nome da sua empresa.
- Garantia e suporte — período de correcções incluído após o lançamento, e custo da manutenção depois disso.
Local ou estrangeiro?
Plataformas internacionais de freelancers parecem baratas, mas o fuso horário, a língua e a distância ao contexto (como funciona o M-Pesa? porque é que o site tem de ser leve?) cobram caro em projectos que não são triviais. Uma equipa que conhece o mercado moçambicano desenha para a realidade moçambicana — e está cá para responder quando algo falha às 8 da manhã de segunda-feira.