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Preços & Margens

Como definir preços sem adivinhar: custos, margem e valor

Pergunte a um pequeno empresário como definiu os preços e a resposta mais comum é alguma versão de "vi quanto os outros cobram". É compreensível — e perigoso: o concorrente pode estar a perder dinheiro sem saber, e você a copiar o prejuízo dele. Preço define-se com método. Eis um, em quatro passos.

Passo 1 — Conheça o custo VERDADEIRO

O erro clássico: contar só o custo directo (a mercadoria, o material) e esquecer o resto. O custo verdadeiro de vender inclui: custo directo + fatia dos custos fixos (renda, salários, energia, transporte, comunicações — somados e divididos pelas vendas típicas do mês) + custos invisíveis: comissões de pagamento, perdas e quebras, o SEU tempo (que tem valor, mesmo que não se pague salário). Quem não sabe o custo verdadeiro não sabe se está a lucrar — está a facturar, que é diferente.

Passo 2 — Decida a margem de forma consciente

Margem não é "o que sobra" — é uma decisão. Sobre o custo verdadeiro, defina a margem que o negócio precisa para viver e crescer. E cuidado com a confusão que mata negócios: margem sobre o preço ≠ markup sobre o custo. Comprar a 1.000 e vender a 1.300 não é "30% de margem" — é 30% de markup, que dá ~23% de margem sobre o preço de venda. Nas contas do fim do mês, esta diferença é o buraco que ninguém explica.

Passo 3 — Ajuste pelo valor, não só pelo custo

O custo define o seu preço mínimo; o valor percebido define o máximo. O mesmo serviço vale mais quando: resolve um problema urgente, inclui garantia e suporte, é entregue com profissionalismo visível (proposta cuidada, marca credível, site sério), ou poupa tempo e risco ao cliente. Quem compete só no preço está numa corrida para o fundo — haverá sempre alguém disposto a perder mais dinheiro do que você. Compita no pacote: o preço deixa de ser a única coluna da comparação.

Passo 4 — Olhe para o mercado por último (e com olhos certos)

Agora sim, olhe para os concorrentes — não para copiar, mas para posicionar: o seu preço conta uma história. Abaixo do mercado diz "básico e acessível" (e exige volume para sobreviver); na média diz "alternativa segura"; acima diz "premium" (e exige que a experiência confirme a promessa). Qualquer posição funciona — desde que escolhida, coerente e sustentada pelas contas do passo 1 e 2.

Sinais de que o seu preço está errado

  • Vende muito e sobra pouco → preço baixo demais ou custos verdadeiros por contar.
  • Ninguém negoceia → provavelmente está barato; quem acha caro negoceia, quem acha barato cala-se e compra.
  • Só fecha com desconto → o preço de tabela perdeu credibilidade; reveja a tabela e a regra de descontos (sempre com contrapartida).
  • Tem vergonha de dizer o preço → você próprio não acredita no valor; ou o preço está errado, ou a forma de o apresentar.
Exercício desta semana: escolha o seu produto/serviço mais vendido e refaça o preço pelo método: custo verdadeiro → margem decidida → ajuste por valor → posição no mercado. Se o número que sair for muito diferente do actual, acabou de descobrir para onde tem ido o seu lucro.

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